Segunda-feira, 4 de Junho de 2012
O teu objectivo: ir às compras hoje. Melhor. Comprar carcaças, isto ao domingo as mercearias estão fechadas, e a única opção que tens é recorrer às grandes superfícies.. Propósito difícil esse. A ponte aérea na qual costumas virar tornou-se realmente aérea. Flutua entre os troços de estrada que liga. Com alguns carros a gritar por ajuda. Não pessoas. Apenas carros que gritam por ajuda. Buzinadelas em código morse, S-O-S. Ainda te lembras como é? Bem te disse para não saíres dos escuteiros.
Já te perdeste várias vezes.
Mas não a este ponto.
Páras numa bomba de gasolina para uma água ou um café. Ou o que tenham a dois euros, era o dinheiro para o pão e mesmo assim está caro. Saíste sem a carteira, só com a moeda grande de dois euros, que não é assim muito dinheiro, porquê o fazerem uma moeda tão grande, tão grande e que pouco vale.
Entras e no lugar da caixa, está uma caixa.
Tens uma caixa a atender-te.
Não é particularmente feia. Nem bonita.
Já te perdeste. Não no mapa. Isso já sabes que te perdeste. Mas não és caso único. A bomba está cheia de pessoas que se perderam. Um autocarro de nipónicos que tiram fotografias fascinados às caixas na caixa, às mangueiras de combustível que jorram chocolate, aos carros que trancam os donos lá dentro, à relva que substitui o alcatrão e ao alcatrão que substitui a relva, tornando as bombas reais oásis no meio das estradas, em vez dos oásis de imitação que tentam imitar.
Sais. Mas em sentido contrário. Vai contra a tua lógica. E não estás em Inglaterra. O sentido mudou agora. Tens que sair para a direita e não para a esquerda. Na tua cabeça não faz sentido, mas os sinais de trânsito é que são autoridade. E a seta está lá, bem mandona, a obrigar-te a ir para a esquerda.
Com fé. Porque os sinais de trânsito são a bíblia de um bom condutor. Ou obedeces ou lixas-te. E ficar sem carta é pior que um Inferno vulgar. É ficares sem pernas para andar.
Ao contrário do que julgas, não há muitos sentidos contrários. Não encontras muitos condutores a ir ao teu encontro. Um ou outro. Mas é algo já normal neste mundo estranho onde estás. Lá se foram as carcaças. Agora, foi-se o dinheiro das carcaças. O café foram vinte e cinco cêntimos apenas. Antes era vinte e cinco, dois ponto cinco euros. Aumentou. Mas desceu agora. Também.. quanto é que as caixas receberão de ordenado? Provavelmente não muito. Não comem. Dorme dentro de outra caixa? Ou na caixa mesmo. Dormir? Uma caixa dorme? Que disparate. Uma caixa não se cansa.
Viras.
Para a esquerda.
Perigoso. Virar para a esquerda aqui. Mas é única intersecção. E tens que sair daqui.
Sais e a curva não acaba. Aliás, a recta. Estás à espera que a curva surja. Estas saídas são todas curvas. Há uma excepção. Esta é a direito. Entras por lá, cuidado com o rail dos lados, e o direito não termina. Segues, segues. Sempre a direito. Surge-te um túnel, não te lembras de um túnel aqui, mas surge-se. E dentro do túnel estão coelhos no meio da estrada. Não os queres atropelar. Mas impossível. Passas por cima de um desses bicharocos, ouves um “bac”, sentes as suspensões a flutuar por momentos e continuas a andar.
“Ei, cuidado. Olha para a estrada. Obrigada pela boleia pá!”
Boleia?
Páras, encostas.
Um cigarro, urgentemente.
“Ei, não demores! Estou com pressa! Prometi à minha Maria que via a novela com ela às sete!”
Não ouves o coelho.
Andas um pouco, até perderes o carro de vista.
Mas a vista que vês nada é de especial.
Apenas árvores aqui e ali.
Voltas para trás e deparas-te com o teu carro atolado em garrafas de água.
“Ei, como estavas demorada, decidi fazer uma limpeza à tua viatura!”
Boa, boa…
Não te lembras de ter assim tantas garrafas de água. Tanta garrafa meia-vazia, meio-cheia, cheia e quase cheia, que te permitiria ter o teu próprio ribeiro.
Continuas, sempre o coelho ao lado, que desaparece quando menos esperas.
A casa está igual, consegues chegar a casa e o teu companheiro está desperto ainda.
E tu chegas, sem os papo-secos ou carcaças.
“Já viste esta notícia querida? Os mágicos fizeram greve!! Mas como é que a greve dele nos afecta? Ahahah!”
Quarta-feira, 2 de Maio de 2012
Acima de tudo, esta cena com o PD é propaganda gratuita. Hoje, todos sabemos qual a empresa a que me refiro. É uma cadeia de supermercados, a que muita gente ontem afluiu, lançando o caos em muitas cidades, como se o fim do mundo estivesse aí próximo, como se um holocausto nuclear se aproximasse. Não acredito que o PD fizesse isto por simpatia. Por "bondade". Não acredito que os preços aplicados nesse dia fossem exactamente os mesmos que num dia normal. Não acredito que tenham sujeito os empregados do estabelecimento e os próprios clientes em risco de ferimentos, em risco de terem que prolongar o seu horário normal de trabalho (uma coisa é dizerem que fecharam portas às dezoito horas, por falta de stock, outra é afirmarem que os empregados saíram às dezoito.. repôr stock, limpar a desarrumação que se viu em muitas fotografias, arrumar os carrinhos espalhados pelos parques de estacionamento*, alguém tem que o fazer.. e, certamente, que não foram esses clientes).
*interessante, em tempo de crise, a moeda de um euro usada para desbloquear o carro é deixada ali, ao meio do abandono, enclausurada dentro de uma carrinho de metal. Que lucro veio daí também?
Há várias reportagens sobre o assunto. Portanto, não tenho necessidade de me alongar.
Será que alguém consome vinte paletes de leite numa casa? Ou trinta grades de cerveja? Ou que a caganeira é tão grande que sejam necessários centenas de rolos de papel higiénico? Será que as pessoas não pensam no prazo de validade das coisas que adquiriram? Sim, porque até os cremes e shampôs ficam rançosos. Os produtos lácteos têm um prazo de validade de cerca de cinco a seis meses, quando não se resume a semanas. Impressiona-me isto, esta afluência gigante a um supermercado para consumir sem destino, consumir sem lista de compras, apenas para consumir, porque é bom abarrotarmos o frigorífico, empilhar coisas na despensa, talvez usar o espaço debaixo da cama para guardar umas latas de atum.
Dar à vizinha que não teve cinquenta euros para gastar, que nem tem um euro e picos para comprar uma lata de salsichas, oferecer a uma instituição de caridade, como o Banco Alimentar contra a Fome, isso é que não. Isso seria altruísmo abusivo. Isso seria caridade sim.
Quantas pessoas não têm cinquenta euros para gastar em promoções destas? Muitas.
E a pontaria que tiveram no dia, não me venham com tretas, não foi inocente.
Dia 1 de Maio é o dia INTERNACIONAL do trabalhador. E também o dia em que se apela ao não-consumo, por respeito aos mesmos trabalhadores. Em que se apela a que as pessoas evitem fazer compras, levantamentos multibanco, abastecimento de combustíveis, carregamentos de telemóvel. Em que se apela ao seu "acordar", à sua participação nas diversas manifestações, piqueniques, e outras iniciativas destes dias.
Lógico que certas empresas/instituições não podem fazer greve. A polícia, os hospitais, os aeroportos, os bombeiros, entre outros.
Os outros, supermercados, cafés, bombas de combustível, podiam fazer. Ou então, que trabalhassem os patrões (especialmente aplicável a cafés e outros estabelecimentos de pequeno porte). E nós, o povo ("é quem mais ordena"), devia ser solidário para com isto. A maior parte não quer saber. Não se interessa. Só se interessam quando a carta de despedimento cai na sua caixa de correio. Quando o seu ordenado começa a não chegar para as despesas do mês. Ou da semana, muitas vezes. Ou quando o ordenado não chega sequer a cair na conta. Ou o cheque que o patrão passou não tem cobertura.
Preferia que tivessem surgido hoje reportagens dos piqueniques nos campos, das idas à praia em família, do que esta visão degradante da sociedade consumista em que vivemos. Passar o dia de folga num supermercado, em fúria por comida, é, simplesmente, degradante. Triste que as pessoas não se apercebam disso. Como acho triste quando as pessoas se dispõem a enfiar-se num saco de cama e passam frio à porta de uma loja por causa do lançamento de um novo livro, de um novo gadget, de um concerto. Não têm mais nada em que pensar? Não têm mais nada para fazer? Para se entreterem? Será que a sua felicidade é baseada em PRODUTOS?
Se, como os porta-vozes do PD alegaram, esta iniciativa é para continuar, que continuem. Que não se esqueçam do que dizem. Que o façam uma ou duas vezes por mês. Mas que zelem pela segurança também. Que não seja necessário a intervenção policial para acalmar ânimos atiçados pela compra de um pacote de arroz. Que recrutem mais empregados para esses dias, para que os outros não sejam sobrecarregados com este excesso. Porque aturar pessoas não é fácil. Aturar pessoas irritadas, stressadas, muito menos. E muitas pessoas irritadas mete medo. E ninguém é obrigado a passar por isso, sem o mínimo de preparação ou de apoio.
Domingo, 12 de Fevereiro de 2012
Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
e acho piada à tua "lata".
aquela lata de passares à frente das duas raparigas.
de passares à frente do senhor.
de colocares as tuas carcaças misturadas com as compras de outrém.
talvez na probabilidade dessa pessoa as pagar por ti.
talvez pensando em bondade gratuita.
"só quero levar dois sacos de pão, o senhor tem mais compras que eu."
mas não,
nem um "com licença"
nem uma explicação,
apenas um sorriso nervoso, um arrepiar dos cabelos,
uns gestos que fazem desconfiar das verdadeiras intenções,
uma cena que nunca tinha assistido..
como outras às quais venho a assistir, cada vez mais comuns..
a das pessoas deixarem compras para trás quando o seu cartão não é aceite,
quando percebem que o peso na carteira não é de notas, mas que se resume a moedas de vinte cêntimos e de tostões que não totalizam a conta exigida.
de compras essenciais deixadas ali, ao pé da rapariga da caixa,
que certamente já não sabe onde deixar tantos bens,
que certamente terá vontade de ajudar,
sem saber bem como.
e o contraponto.
os que continuam a flirtar com os lcd's gigantes, para a casa que continuam a pagar, para verem os cento e tal canais de televisão que os dois trabalhos que têm não permitem ver, porque o tempo não é nenhum, e os canais que vêem são sempre os mesmos, não há tempo para ver os cento e tal canais, que tal mudarem-se para o TDT, que só em Portugal não é gratuito. Que tal desistirem do LCD, e contentarem-se com o televisor pequeno, pequeno mas que ainda vai dando para os vinte minutos que têm para se entreter. Que tal desistirem do IPad ou do IPhone, do qual não necessitam, porque têm um trabalho normal, em que não necessitam de ter constante acesso à Internet, nem de verificar os e-mails assiduamente, nem precisam daquelas mil e uma aplicações que nunca se aplicam, que apenas se usam uma vez ou duas, que apenas são para se exibirem aos amigos, para exibir o IPhone que apenas utilizam, ao fim e ao cabo, para enviar SMS e para receber chamadas, tal qual o velhinho Nokia que a tanto resistiu e que ainda funciona, agora abandonado numa qualquer gaveta lá de casa. E o Iphone precisa de uma capa, precisa que se tenha cuidado com o écran, não se vá riscar, não pode ser atirado para dentro da mala como o outro, exige uma delicadeza imprópria para algo que é para ser manuseado, exige uma delicadeza que as coisas que são para ser usadas não deveriam exigir.
Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
Ou terá algo a ver com a mudança da empresa para a Holanda? Como a altura média dos holandeses é superior à dos portugueses, pode ser que as suas frutas também sejam maiores..
Maçãs Assadas - 30.Janeiro.2012
Ingredientes:
- Maçãs Reinetas (usei seis, as suficientes para preencher o 'pirex' que usei para as levar ao forno. São descaroçadas e pela-se a pele do topo, deixando-a, no entanto, presente)
- Açúcar amarelo (para cobrir as maçãs)
- Canela em pó (para salpicar as ditas maçãs)
- Paus de Canela (colocados no centro das maçãs descaroçadas)
- Vinho do Porto (o suficiente para cobrir o fundo do 'pirex')
Material:
- Descaroçador (na falta dele, uma faca pequena também serve, conforme a habilidade da cozinheira ;)
- Pirex mais ou menos grande
- Forno (duh!) médio, durante cerca de meia-hora (para confirmar se estão bem assadas - ou seja, quando começar a sentir o cheirinho da canela -, espetar com um garfo e verificar a consistência.
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

Almofadas são algo que me fascinam,
gosto de almofadas por todo o lado,
almofadas espalhadas por cima do sofá,
almofadas no chão - ou almofadas XXXL, o que são os puffes afinal?
Almofadas na cama, grandes, pequenas,
com que se possa construir um abrigo para a nossa cabeça, um abrigo para o nosso corpo, para amparar os ossos doridos de um dia de trabalho, em que nos possamos encostar a ler um livro, em que possamos apoiar o computador enquanto navegamos,
almofadas com cheiro a alfazema, com cheiro a amaciador, com o cheiro de quem amamos,
almo-fadas.
almo-hadas.
Fadas das Almofadas. Fadas do Almo. Fadas da Alma. Fadas que se caracterizam por serem mais duras, mais suaves, por nos envolverem, ou por nos manterem direitos. Fadas em que escorregamos, fadas que nos prendem, fadas que nos confortam, fadas que nos aquecem.
Isto podia ser uma ode às almofadas. Mas não o é. Apenas me apeteceu escrever sobre almofadas. E afirmar que não gosto das chamadas almofadas "anatómicas", aquelas almofadas que de almofada só têm o nome. Que possuem formas estranhas, como se fossem almofadas saídas das profundezas de algum cérebro Ergonomicista que considera que a almofada-cabeça-de-martelo ou a almofada-abraço é excelente para melhorar as dores nas costas. Pode ser que seja. Mas não é boa para adormecer. Não permite que te vires de barriga para baixo como gostas. Não permite que a amachuques como queres. São pseudo-almofadas. Que ofendem as fadas. Xô!
Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011
[previously posted in FB]
quando aquela velhota com ar tão fofinho, nos olha com uns olhos lastimosos e nos pede para aguardar um pouco porque lhe falta aquele amaciador, aquele que deixa um cheirinho tão bom nas roup(inhas) da sua net(inha), e que, depois de uma longa espera (cinco minutos parecem sempre uma eternidade nessas filas...), nos surge de novo, com um ar fatigado, carregan...do cinco quilos de batatas, uma revista da Happy, uma frigideira, um saco de castanhas, um saco com chouriço fatiado no talho.. tudo... menos o maldito amaciador com cheiro a ananás! E o nosso gelado? entretanto.. vou ali comprar umas palhinhas, parece que acabei de obter um batido de cheesecake de morango da Haagen-Daaz.. Ainda quer ajuda para pôr o saco de batatas no tapete da caixa?? Não sei não...
Domingo, 20 de Novembro de 2011
Como seria noticiada hoje, em Portugal, a história do Capuchinho Vermelho...
0 comentários por Ana Omelete às 21:44(pedido emprestado à Nélia Olival, via FB ;)
TELEJORNAL - RTP1
"Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de
ontem... mas a actuação de um caçador evitou uma tragédia"
...
JORNAL DA NOITE - SIC
"Vamos agora dar-lhe conta de uma notícia de última hora. Uma menina
foi literalmente engolida por um lobo quando se dirigia para casa da
sua avó! Esta é uma história aterradora mas com um final feliz... o
Sr. telespectador não vai acreditar mas, esta linda criança foi
retirada viva da barriga do lobo! Simplesmente genial!"
JORNAL NACIONAL - TVI
"... onde vamos parar, onde estão as autoridades deste país?! A menina
ia sozinha para a casa da avó a pé! Não existe transporte público
naquela zona? Onde está a família desta menina? E a Comissão de
Protecção de Menores? Tragicamente esta criança foi devorada viva por
um lobo. Em épocas de crise, até os lobos, animais em vias de
extinção, resolvem aparecer?? Isto é uma lambada na cara da actual
governação portuguesa."
Entretanto manifeste a sua opinião e ligue para:
707696901 se acha que a culpa é do lobo
707696902 se acha que a culpa é do capuchinho
707696903 se acha que a culpa é do governo
CORREIO DA MANHÃ
"Governo envolvido no escândalo do Lobo"
JORNAL DE NOTICIAS
"Como chegar à casa da avozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho"
Revista MARIA
"Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama"
A BOLA
"Lobo será reforço de inverno na Luz"
JOGO
"Mourinho quer Caçador no Real"
LUX
"Na cama com o lobo e a avó"
EXPRESSO
Legenda da foto: "Capuchinho, à direita, aperta a mão do seu salvador".
Na reportagem, caixa com um zoólogo explicando os hábitos alimentares
dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Capuchinho foi
devorada e depois salva pelo lenhador.
PÚBLICO
"Lobo que devorou Capuchinho Vermelho seria filiado no PS"
O PRIMEIRO DE JANEIRO
"Sangue e tragédia na casa da avozinha"
CARAS
Ensaio fotográfico com Capuchinho na semana seguinte:
Na banheira de hidromassagem, Capuchinho fala à CARAS: "Até ser
devorada, eu não dava valor à vida. Hoje sou outra pessoa."
MAXMEN
Ensaio fotográfico no mês seguinte:
"Veja o que só o lobo viu"
SOL
"Gravações revelam que lobo foi assessor político de grande influência"
Sábado, 19 de Novembro de 2011
do cinema mudo...
No es que le falte
el sonido,
es que tiene
el silencio
Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
Mas gosto de bibliotecas.
Ainda não conhecia a biblioteca de Olhão.
E fui lá hoje, fazer a inscrição.
Naveguei por entre as estantes, por entre os livros, no silêncio repleto de palavras lidas, relidas ou nunca lidas, daqueles livros novos, frescos, com páginas ainda coladas umas às outras, páginas que pedem um abre-cartas para as descolarem, com cuidado, com carinho.
Um silêncio apenas interrompido por uma tosse, que isto está frio, ou se calhar fumas muito, ou tens que beber água. Interrompido pelas teclas dos portáteis que aproveitam o wireless do local. Perturbado pelo folhear dos jornais diários, semanais, revistas com folhas de papel colorido.
Vagueio entre os livros de Fotografia, deslumbro-me com a escolha, pouca, mas boa, que têem, entre os livros de mitologia, de história, e paro na letra Bê da literatura estrangeira, e enleio-me com Brecht, tinha saudades de ler Brecht, estranho ter saudades um autor, mas tinha.. como tenho do Beckett, ou do Peixoto. Saco o livro de poesia de Brecht, e vem-me este poema, tão conhecido, e tão cheio de verdade... excelente.)
Sente-se.
Está sentado?
Encoste-se tranquilamente na cadeira.
Deve sentir-se bem instalado e descontraído.
Pode fumar.
É importante que me escute com muita atenção.
Ouve-me bem?
Tenho algo a dizer-lhe que vai interessá-lo.
Você é um idiota.
Está realmente a escutar-me?
Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção?
Então Repito: você é um idiota. Um idiota.
I como Isabel;
D como Dinis;
outro I como Irene;
O como Orlando;
T como Teodoro;
A como Ana.
Idiota.
Por favor não me interrompa.
Não deve interromper-me.
Você é um idiota.
Não diga nada.
Não venha com evasivas.
Você é um idiota.
Ponto final.
Aliás não sou o único a dizê-lo.
A senhora sua mãe já o diz há muito tempo.
Você é um idiota.
Pergunte pois aos seus parentes.
Se você não é um idiota...
claro, a você não lho dirão, porque você se tornaria vingativo como todos os idiotas.
Mas os que o rodeiam já há muitos dias e anos sabem que você é um idiota.
É típico que você o negue.
Isso mesmo: é típico que o Idiota negue que o é.
Oh, como se torna difícil convencer um idiota de que é um Idiota.
É francamente fatigante.
Como vê, preciso de dizer mais uma vez que você é um Idiota e no entanto não é desinteressante para você saber o que você é e no entanto é uma desvantagem para você não saber o que toda a gente sabe.
Ah sim, acha você que tem exactamente as mesmas ideias do seu parceiro.
Mas também ele é um idiota.
Faça favor, não se console a dizer que há outros Idiotas: Você é um Idiota.
De resto isso não é grave.
É assim que você consegue chegar aos 80 anos.
Em matéria de negócios é mesmo uma vantagem.
E então na política!
Não há dinheiro que o pague.
Na qualidade de Idiota você não precisa de se preocupar com mais nada.
E você é Idiota
Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
doesn't mean that person is depressive..
or whatever..
It just means that person thinks..
sometimes a lot..
to overcome the moments that person doesn't seem to think clearly]

Surgem aquelas conversas à mesa do café que inquietam algumas pessoas.
Depende do tema.
Hoje lembrei-me de uma que houve, não sei porquê, talvez da música que estivesse a ouvir, talvez pelo livro que esteja a ler.
Cemitérios, morte e funerais é um tema que incomoda muita gente.
Se não me engano, a conversa começou pela dificuldade em fotografar cemitérios.
Alguns são interessantes para fotografar. Depende do interesse de cada um. Não sou mórbida. Simplesmente aprecio a arte presente em alguns, a luz que ecoa na pedra com a qual são construídos, o silêncio que se sente nesses locais. Às vezes precisamos de silêncio e raro é o sítio com um silêncio tão profundo como aí. Nos cemitérios do Norte de Portugal, construídos sobre socalcos, nos pontos mais altos, longe ou perto das localidades, o silêncio tem a benesse de se poder admirar o nascer ou o pôr do Sol. Bastante simbólico, mesmo para quem não é adepto do catolicismo.
E depois vem a conversa do onde quero ser enterrado, se quero ser cremado, se quero ser blá-blá. Já houve uns tempos em que queria ser cremada. Agora, gostaria, simplesmente, de quando chegasse a hora, desaparecer. Não quero que as minhas cinzas sejam colocadas dentro de um pote de metal e deixada para sempre em cima da lareira ou de uma estante qualquer. Melhor seja, se forem comida para os peixes no rio Tejo ou no mar. Ou a base de alguma árvore. Porém, duvido muito que alguém se dê ao trabalho de ter esse trabalho. Hoje em dia, as pessoas são bastante comodistas. Só fazem o que lhes der jeito. Se não lhes der jeito, mesmo que dê jeito ao outro, estão-se a cagar.
Enterrada num cemitério também não. Ficar a ocupar espaço, depois de desaparecer, não faz sentido para mim. Ficar ali num altar onde vão colocar flores (eu, que nem gosto de flores, de certeza que acordava logo dos mortos a espirrar que nem uma desalmada) não é para mim.
O mais importante é apreciar as pessoas em vida. Lembrar-mo-nos das desaparecidas, claro, mas senti-las em vida. Telefonar-lhes. Mandar-lhes mensagens. Contactar com elas. Ir tomar café. Visitá-las. Abraçá-las. Não ficar a roermo-nos por dentro por aquilo que queríamos ter contado e não contámos. Pelo abraço que podíamos ter dado e não demos (pela m*rda do orgulho, às vezes, que nos impede e nos bloqueia de o fazer). Pelo momento que a pessoa nos pediu e não demos por egoísmo. Confunde-me as pessoas que choram por alguém que nunca apreciaram suficientemente em vida. Como alguém outro dia dizia no FB, devido a um rapaz que se suicidou, não são os jantares em "honra" dele que o vão fazer regressar. Esses jantares deveriam ter sido feitos quando ELE estava cá. Não são as cervejas ou os brindes que o vão lembrar. Esses brindes deveriam ter também o seu copo de cerveja presente. Não são as mensagens do estilo "que foste tu fazer?", quando se calhar alguma coisa poderia ter sido feita, e não o foi.
Prefiro que gastem dinheiro comigo (uma maneira de dizer..), tempo comigo... ao vivo e a cores. Não quero caixões de luxo, não quero nada disso, não quero mini-urnas de metal, flores de plástico ou flores reais, discursos hipócritas, lágrimas de crocodilo. Não preciso disso. Não necessito de nenhum seguro de funeral, como agora existe (há sempre alguém que se aproveite da crise), para a "futura" (bate-na-madeira) necessidade de despesas de funeral. Despesas? Dispenso. Portanto, penso que o melhor é desaparecer. Não agora, não se alarmem, é uma forma de falar. Mas, despesas de funeral? Obituários no jornal? Para? Saciar a cusquice de quem o lê? Para fazer publicidade às agências? Para ter uma mensagem que todas as pessoas que morrem têem? Não.
De mim ficará o que tem de ficar. O que fiz, e o que não fiz e poderia ter feito. As fotos que tirei, os sonhos que concretizei (ainda espero concretizar mais), os erros que fiz, e alguma coisa de boa que tenha feito. A minha boa disposição geral, o mau-feitio em particular. O meu blog ficará. O meu FB ficará. Estranho esta vida "eterna" que a Internet nos proporciona. Para quê mais? Para quê ficar a apodrecer no meio da terra? Ou dentro de uma taça?
Se houver opção para tal, prefiro mesmo.. desaparecer. É possível?
Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011
Não escrevo sobre pessoas específicas.
Aquele ou aquela, ou o aqueloutro, ou a aqueloutra.
Escrevo sobre pessoas.
Ponto.
Coisas que vejo.
Conversas que oiço.
Discussões a que assisto.
Situações.
Vida.
Ou
Vidas.
Escrevo sobre o que me rodeia.
No café, no trabalho, no autocarro, no carro..
onde quiserem pensar.
Se foi comigo ou não...
não sabem, nem nunca saberão.
Quem se sente atingido,
temos pena..
Mas quem se sente atingido é porque lá terá as suas razões, os seus motivos pessoais para se sentir atingido. Quais são, não é a mim que me compete decifrar. As pessoas, mesmo que às vezes não demonstrem, têem consciência do que fazem, do que não fazem, de como agiram, de como deveriam ter agido, das palavras que dizem, das palavras que não disseram ou as que não conseguiram dizer. Dos tons de voz, altos, baixos, assim-assim. Ponto.
Domingo, 13 de Novembro de 2011

Sometimes, too much silence coming from someone at your table...
doesn't mean that that someone doesn't have anything to say,
to discuss,
to speak-out..
sometimes,
that someone just has so many things on their mind,
that they don't know where to start from,
with fear that they may not be understood,
or with fear of dropping a personal weight over someone,
somebody,
that may, or may not,
have the ability to
understand it,
to absorb it,
Silence from someone that's usually a talker,
usually means that.
Too many thoughts.
Too many things to solve.
Too many things that may have a solution or not.
When it comes to people that you love,
you never know what's the end (or start) it will have.
It's a surprise.
A good.
Or a bad.
Hope it's not the bad.
Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011
O calor para mim só é útil para uma coisa... para a roupa secar mais depressa.
Ok... para as minhas tartarugas acordarem do torpor..
Para mim, o Verão terminava logo após a Concentração.. um mês, dois meses, três de calor aborrece. Aborrece lutar contra o calor à noite, aborrece-me brigar com a "pegajodice" com que se fica depois de caminhar uma hora debaixo do sol ardente.. aborrece-me actualmente ir à praia muitas vezes.. adormeço, apanho um escaldão, ui ca bom, cansa estacionar, cansam os turistas, os pézinhos irrequietos que insistem em nos atirar areia para cima, o barulho dos guarda-sóis vizinhos. Aborrece estar a dormir com alguém e não conseguirmos dormir juntinhos, aconchegados, porque está CALOR. Ficarmos destapados e, mesmo assim, com calor. Nús, mas mesmo assim, com calor. Sem defesa possível. Não há casacos-frigorífico, mas deveriam já os ter inventado.. porque não? Um cachecol refrescante, umas sapatilhas com ventoinha, um boné refrigerador, umas roupas com ventilação. Tal como existem os cobertores de aquecimento, seria só inverter o processo. Não haveria necessidade de dormir numa banheira cheia de gelo, numa varanda refrescante..
Quero o Inverno. Já. Quero pisar poças de água. Ouvir o "Choff!!!". Ficar com as botas cheias de lama. Quero o frio. Quero a chuva a bater-me na cara, o vento a enrolar-me o cabelo. Quero ir à praia sem correr o risco de pisar ninguém. Quero o peso dos meus casacos. Das minhas mantas. Das minhas botas. Quero esfregar as mãos uma na outra quando tiver frio. Ou dar a mão a alguém e que o calor dessa mão não seja um desconforto mas um conforto.. Calçar as pantufas. Enrolar-me nas mantas. Beber um chá com mel. Ver filmes. Poder estar no computador sem absorver calor electrónico. Fazer bolos. Quero sentir o calor como um aconchego e não como uma saturação.
Quero um mês de Agosto algarvio livre de turistas que não sabem as regras de condução, nem as regras de boa-educação, que só se lembram do Algarve quando aí está o Verão, porque o resto do ano, o Algarve e os Algarvios (ou quem cá vive há muitos anos) não existem..
E chega, por hoje, de reclamações...
«que o calor já aborrece, querer dormir e ficar-se suado, querer caminhar e quedar-se cansado, querer respirar e sentir-se sufocado...»
(o Facebook ainda me traz alguma inspiração.. às vezes.. deste comentário que fiz, veio este post.. passado quase seis meses do último que publiquei)
Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
«Some gamble, some drink,
some behave loosely.
But of those who gamble,
some are stripped bare,
some win their clothes here,
some are dressed in sacks.
Here no-one fears death,
but they throw the dice in the name of Bacchus.
First of all it is to the wine-merchant
the the libertines drink,
one for the prisoners,
three for the living,
four for all Christians,
five for the faithful dead,
six for the loose sisters,
seven for the footpads in the wood,
Eight for the errant brethren,
nine for the dispersed monks,
ten for the seamen,
eleven for the squabblers,
twelve for the penitent,
thirteen for the wayfarers.»
Quinta-feira, 5 de Maio de 2011
Soube bem hoje..
Ir estender a roupa,
às tantas da madrugada..
E ser supreendida por uma andorinha,
que,
ao seu estilo,
veio dizer Bom Dia
(pelo menos foi o que deduzi do Piu-Piu matinal),
e que só se foi embora depois de eu lhe ter respondido
"Bom Dia para ti também."
Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
O Bin Laden ficou na moda, sem querer.
Ou já estava na moda.
Na moda dos anti-heróis dos Estados Unidos da América. Os Americanos sempre gostaram de ter um anti-herói. Sempre gostaram de ter os Bons contra os Maus. É assim nas suas bandas desenhadas, nos seus filmes. Há uns séculos atrás, os maus eram os Índios. Passado uns anos valentes, eram os Alemães, os Japoneses. A Guerra Fria. A Guerra do Vietname. Recentemente, foi a Guerra do Iraque. O Anti-Herói, o Saddam Hussein. Com o 11 de Setembro, veio outro anti-herói, o Bin Laden. Só que este duvido que esteja morto. Aposto que a maior parte das pessoas duvida que esteja morto. Mesmo que esteja morto, a ser comido pelos peixinhos neste momento, algures no meio do Oceano Índico. Duvido, duvidamos.
O povo precisa de mais. Com o fim da 2ªGuerra Mundial, tivemos o Tribunal de Haia. Os nazis, responsáveis pela morte de milhares de pessoas, foram julgados. Não que alguém duvidasse da sua culpa. Mas porque era necessário. Saber. Conhecer. As razões, os processos, os motivos, as pistas que levaram aos fugitivos. Com o Saddam, também houve julgamento. Vimos o líder iraquiano ser absorvido pela prisão, vimo-lo a ser julgado, vimo-lo a ser enforcado.
Com o Bin Laden, não houve nada disso. Não houve julgamento. Não houve tribunal. Só um tiro nos miolos, dizem eles.
Uma história mal explicada, um míssil atirado, uma vivenda de luxo, blá blá blá. Tretas. Tratam as pessoas que lêem notícias como tratam os espectadores famintos por um filme de acção. Querem acção, tiros, sofrimento, dor, sangue, morte, enterro.
Preferia que o tivessem capturado vivo. "Ah não, que podia suicidar-se.". Um tiro bem dado nas mãos, e ele não se suicidava. Continuava vivo. Podia ir depôr a tribunal. Podia responder perante as famílias, amigos, conhecidos que afectou. Podíamos VÊ-LO vivo, como qualquer réu que comete qualquer crime. Agora, despachá-lo assim, sem mais nem menos?? Não faz sentido.
E depois... o nome da operação.. "Geronimo". Considero uma ofensa à grande nação que foram os índios norte-americanos. Geronimo? Porque não Bin Laden? Porque não Eleven Avenged? Mau gosto, como já é regular na América.
E no entanto, o povo aplaude. O povo sai à rua, com uma fotografia editada visivelmente em Photoshop, impressa em grande formato.
Viva, morreu!
E as respostas, onde estão? E as pistas para outras células terroristas relacionadas, onde estão? E a vingança fria? O julgamento (sem julgamento, não há justiça feita.. para isso servem os tribunais, senão daríamos liberdade à justiça do povo, à justiça pelas próprias mãos)? As perguntas? A pressão internacional? Onde ficaram? Numa bala disparada por um sniper, numa única bala que silenciou a capacidade de resposta.
Acho que o Mundo não ficou a ganhar com a morte do Bin Laden. O Mundo apenas demonstrou a sua ignorância, a sua incapacidade de enfrentar os inimigos, a sua total sede de sangue, sem perceber que as perguntas precisavam de respostas.
E um teste de ADN foi feito. E confirmou-se que era ele. Porquê a "reciclagem" imediata do corpo? Qual era a pressa? A tradição? Desde quando é que os Americanos são respeitadores de tradições alheias, especialmente no caso de criminosos? O Bin não morreu. Ficou no limbo da História. E as nações congratulam os EUA, que bravos foram em ir atrás do barbudo, que grandes heróis!!!
Bullshit. Andaram a ver muitos filmes do Stallone.. e a ler muitas Bandas Desenhadas da Marvel. Mas parece que é uma boa forma de ganhar eleições e silenciar os adversários.
Segunda-feira, 2 de Maio de 2011
Belíssimo, uma palavra para definir um vídeo com uma fotografia fabulosa, uma banda sonora que arrepia a espinha.. e que me trás saudades da minha Lisboa.. mas que ajuda a sufocá-las também.
Chamam-me paparazzi.. mas não o sou. Simplesmente, vou clickando, observando, estudando as anatomias, as emoções, as posições, as composições..
Mas são sempre aquelas fotografias que, em geral, saíriam mal.. aquelas fotografias que alguns apagariam, porque ali está um elemento que não pretendiam.. aquelas em que não usei f/22 (nunca uso, verdade seja dita), em que está algo desfocado, aquelas fotografias imperfeitas, são as fotografias para mim perfeitas, porque têem a perfeição do segundo, do momento, do movimento, do imprevisível... do miúdo a apontar o dedo à lente (um miúdo que também o ano passado, também no primeiro de Maio, fotografei, e que me pede sempre ansioso para mirar a fotografia e dar o seu 'ok' aprovador), da expressão da miúda, que me parece não gostar de estar pintada, ou talvez esteja só cansada, ou talvez esteja ou seja tímida, não sei.. nunca saberei.
sou capturadora de momentos
(Cap. de Momentos, como a minha amiga Natália me denomina)
Agarro-os com todas as forças,
com a máquina fotográfica,
com as minhas mãos,
com a minha alma,
com a minha vida..
Porque a vida está presente agora.
Mas amanhã..
Não sei.
Quarta-feira, 27 de Abril de 2011
fala-se da crise crise crise FMI FMI desemprego desemprego..
mas depois há aquelas conversas-da-treta
(bullshit talk, small talk, whatever)
que me deixam de boca aberta
e que levam a conclusões de pessoas
do género
a Internet é um bem essencial,
mas um quilo de maçãs, um saco de papo-secos, ou outras coisas alimentares,
já NÃO são um bem essencial.
Será que a Internet se come e eu não sei?
Qual será a vitamina que fornece? O mineral? Faz mal aos dentes? Tem muito açúcar?
É melhor nem pensar muito no assunto...
só tipo..
desejar que essa pessoa fique numa rocha sem nada,
que a água que a rodeia não tenha peixe para pescar,
que a dureza da pedra tanta seja que planta nenhuma desabroche,
mas que tenha sim,
um portátil com wireless.
Pode ser que se safe a encomendar comida de algum lado
(mas por via das dúvidas, vamos-lhe sacar o cartão de crédito também.. a ver se consegue convencer algum Hercules C-130 a jogar-lhe um saco de batatas em cima da cabeça)
Pfffffffffffffffffff.....
Quinta-feira, 21 de Abril de 2011
Terça-feira, 19 de Abril de 2011
O quê?
Falar do meu aniversário?
Para quê?
Já se sabe.. passo com amigos, amigas.. uns com quem estou mais vezes, outros com os quais estou menos vezes do que gostaria.
Já não faço jantares de aniversário.
Eu gosto de sushi.
Muita gente de quem gosto, não gosta de sushi.
Depois, há os vegetarianos,
mas nem toda a gente gosta de um belo bife de soja, por muito que se pareça com um bife de vaca. Os que não comem no mexicano porque têem medo de se transformar em seres gasosos no meio da noite e serem confundidos com rateres de mota.
Há os glutões que comem sobremesa, há o pessoal das dietas que não toca em sobremesa e depois bebe café com açúcar. Os que não bebem vinho tinto, branco, nem água, só sprite, só coca-cola, só isto ou só aquilo.
Para evitar complicações,
este ano decidi simplesmente,
combinar um copo. Um café. É mais barato do que um jantar. A seguir ao jantar há sempre a saída. E o FMI está aí.. e a malta está com medo.. a malta está sem dinheiro, é meio do mês e tal.. eu já sei o que a casa gasta. Qualquer dia faço um aqui em casa. Mas só se fôr em copos e pratos de plástico. Ou se me oferecerem uma máquina de lavar-loiça. Será que me deixam pôr um barbecue no terraço do prédio? Seria uma mais-valia para o condomínio. Valorização do imóvel. Um barbecue a luz solar, aí está! E uma horta no telhado do edifício, porque não?
Continuando...
Retrospectivas? Uhm... é melhor não. Trinta e Três já dá muitas retrospectivas. E não estou para fazer uma bio minha. Não hoje, não agora.
Perspectivas? Muitas. Sonhos? imensos.
Vir filosofar para aqui?
Hoje, francamente, não me apetece filosofar.. Acho que já filosofei que chegue ali em cima.
Mas tenho de dizer uma coisa,
fartei-me de ouvir dizer
"Ah e tal, vais fazer a idade de Cristo!"
Poxas,
nas minhas contas,
Cristo, ou a história de Cristo, já deve ter uns dois mil anos de idade,
ou não?
Não foi só Cristo que morreu com 33 anos,
fui à procura,
e há pessoas mais interessantes para mim que morreram com esta idade,
Um foi o vocalista Bon Scott dos AC/DC (1980).. a sua morte é descrita como, uláláaaaa:
Domingo, 17 de Abril de 2011
Andei de mota,
à pendura, claro,
já tinha saudades
de ser bombardeada com mosquitos e afins nos olhos
[não sei porque insistem em andar em sentido contrário],
do frio na pele,
da vertigem da velocidade,
e de ter um penico [vazio] enfiado na cabeça
:-)
Sexta-feira, 15 de Abril de 2011
não se ama alguém que não ouve a mesmo canção.»
E numa música encontra-se aquilo que realmente é verdade..
mesmo que julguemos que não é importante o suficiente..
mas é uma verdade..
porque a música faz parte da vida,
da sociedade,
do mundo,
de luta,
O contigo são várias pessoas,
umas amadas,
umas só apaixonadas,
umas meramente que se gostava, sem nunca se ter chegado ao ponto do efectivar nada
(os chamados amores platónicos)
(ou também os amores impossíveis)
Porque a música está em tudo,
a música é o que tu ligas no teu auto-rádio quando vais dar uma volta,
a música é o que tu ouves quando estás no duche,
a música é o que escutas ao editar fotografias,
a música é o teu embalo para ler,
a música é a tua companhia nos fones na rua,
a música é os concertos que ficas louco por ir,
mesmo quando não consegues ir
Impossível amar alguém que não gosta da mesma canção.
Ridículo amar alguém que se recusa a ouvir algo diferente,
simplesmente porque é diferente,
e resume o metal a gritos e bateria.
Falta de visão. Falta de abertura. Limites impostos por mentes pequenas.. que não se esforçam,
que não se querem esforçar,
por separar a melodia,
a bateria da guitarra,
o piano do baixo,
a voz do vocalista,
as letras,
querer perceber as letras,
mesmo que necessitem de as traduzir
dá trabalho (eu sei, mas continuo a gostar de ouvir canções em sueco, finlandês e alemão -- que estou a aprender)
São como duas pessoas que estão em diferente sintonia de rádio... e o amor/paixão/whatever é o quê?
Sintonia, sem interferências :)
Porque,
os opostos,
não se atraem.
Quinta-feira, 14 de Abril de 2011
Delicioso conhecer novos músicos, mesmo que de novos não tenham nada, mesmo que andassem no circuito de música há muitos anos, mesmo que andassem perdidos de nós ou nós deles e, de repente, descobri-los num click, na vizinhança de P.J.Harvey e de Portishead, com uns toques melódicos à Bjork, ou, deixemo-nos de comparações, o que é único não se compara, e aconselho vivamente a escuta das playlists disponíveis desta música artista.. ou desta artista que se fez à música.. como queiram.
Quarta-feira, 13 de Abril de 2011
LipoEscultura Manual = Escultura feita à base dos restos da Liposucção (isso mesmo... gordura... ou banha...), que foi realizada torcendo a pessoa como se de uma toalha molhada se tratasse...
«Preparada para usar bikini? Pack Redutor, na &%$# apenas por ..."
... e o seu bikini é torturado a cinquenta graus ou mais e, miraculosamente, a etiqueta que dizia "tamanho 40", passa a dizer "tamanho 34".
Segunda-feira, 11 de Abril de 2011
«Talvez a iluminação das cidades secasse o ar e o tornasse incapaz de revelar os corpos opacos dos fantasmas. A água estava a evaporar-se da terra, e as pessoas tornavam-se descarnadas e sem espírito criador. Léon disse:
- Temos que ir viver em grutas se queremos receber um grau de humidade suficiente para imaginar e sermos capazes de renovação. Eu não quero. O reumatismo mata-me. Entre ser inválido e ser estúpido, prefiro o segundo.»









































